Max Lucado, em um dos seus livros, conta uma das histórias favoritas de Clovis Chappell, um pastor do século passado. Chappell contava a estória de dois barcos a vapor. Ambos saíram de Memphis aproximadamente ao mesmo tempo, viajando pelo Rio Missisipe em direção a Nova Orleáns. Viajando lado a lado, os marinheiros de uma embarcação faziam comentários sobre o passo de tartaruga da outra.
Houve troca de palavras. Foram feitos desafios. E a corrida começou. A concorrência ficou acirrada enquanto as duas embarcações rumavam em direção ao Sul.
Uma embarcação começou a ficar para trás por falta de combustível. Havia bastante combustível para a viagem, mas não era suficiente para uma corrida. Enquanto a embarcação ficava para trás, um marinheiro empreendedor pegou uma parte da carga da embarcação e a jogou nos fornos. Quando os marinheiros viram que os suprimentos queimavam tão bem quanto o carvão, abasteceram o forno da embarcação com o material que tinham sido incumbidos de transportar. Acabaram por ganhar a corrida, mas queimaram a carga.
A mensagem é clara. Assim como aqueles marinheiros tinham cargas preciosas para ser transportadas, Deus nos incumbiu com uma responsabilidade muito mais valiosa: a nossa família. Nossa tarefa é fazer a nossa parte na responsabilidade de que esta ‘carga’ chegue ao seu destino. Mas, para a nossa tristeza e preocupação, observamos os programas, o desejo de ganhar mais dinheiro, sucesso e reconhecimento no trabalho, seja secular ou eclesiástico, terem prioridade sobre pessoas que Deus nos deu para amar, compartilhar sonhos, divertir, chorar, sorrir e educar.
Quantas vezes somos tentados, no dia-a-dia, a não valorizar o convívio familiar. É aquele passeio, de mãos dadas com o cônjuge, o levar os filhos para andar de bicicleta, montar um quebra-cabeça juntos e tantas outras coisas que podemos fazer para demonstrar o quanto estas ‘cargas’ são valiosas. Em um dos nossos seminários para casais, pedimos que os casais dêem sugestões de atividades que podem ser feitas juntos sem gastar dinheiro, mas que irão enriquecer a relação conjugal. Dezenas de atividades são alistadas. Então pergunto: "qual foi a última vez que vocês fizeram isto?".
Nem precisa mencionar as respostas. Somos tentados a encarar estas coisas como ‘perda de tempo’ ou adiáveis. Por que muitos casamentos estão ‘queimados’? Por que muitos relacionamentos familiares já chegaram à exaustão? A resposta é óbvia: a família está sendo sacrificada impiedosamente, seja na corrida profissional ou eclesiástica. A família tem tido prioridade em sua agenda?. O escritor americano Stephen R. Covey afirma: "não há como ser bem sucedido em nossa família se esta não for a prioridade da nossa vida". Aprofundando a questão da prioridade da família, Covey volta a afirmar: "se de fato considerar o item ‘família’ como sua prioridade máxima, você tem de ‘ir à luta’ e provar com as suas ações".
Scott Peck, no livro ‘A trilha menos percorrida’ declara com frieza: "a vida é difícil". E é mesmo. É a competição desleal no trabalho, o orçamento apertado que quase não chega ao final do mês, é a necessidade de estar sempre atualizado para não ser ‘engolido’ pela modernização. Tudo isto é uma realidade. Mas não podemos, de forma alguma, colocar nosso casamento, nossos filhos, nossa família, no ‘forno’ e transformá-los em combustível.
Concluo, citando Stephen Richards: "De todas as vocações que os homens podem seguir na vida, nenhuma é tão carregada de responsabilidade e provida de tantas ilimitadas oportunidades como a grande vocação de marido e pai. De nenhum homem, por maiores que sejam suas realizações, pode-se dizer, em meu julgamento, que conquistou o sucesso na vida, se não estiver rodeado de seus entes queridos".
Pense nisso!
Gilson Bifano – www.clickfamilia.org.br