“Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes”. Rm.1.14
A compreensão de dívida do apóstolo não se baseava em favores ganhos dos homens, que o tornavam responsável de dar de volta alguma coisa de bem.
Fosse isto, e ele ainda estaria no primeiro degrau de como recompensar o próximo.
Jesus disse que esta prática é natural no coração humano: um sentimento de dívida a quem nos presenteou.
Pelos princípios do Reino, somos chamados a abençoar aqueles que nada nos deram ou, mesmo, que nos foram fonte de tribulação.
Mas, não parece estar aqui, no momento, o raciocínio de Paulo.
Sua dívida aos outros não se baseava em presentes ganhos ou em afrontas recebidas.
Ele se via devedor devido ao fato singular: “Sem algum merecimento, fora alvo da graça e da salvação de Deus”.
A compreensão da graça colocou no seu coração um senso de dívida.
Este sentimento de dívida que trabalhava no coração do apóstolo tem algumas marcas:
- Não era negativa: Lembremos que os discípulos de Jesus são ensinados a não portar sobre si dívida alguma.
- Não vinha de uma culpa: O apóstolo não contraiu esta dívida tomando emprestado a quem ele dizia dever.
- Não era discriminatória: Paulo sentia-se um devedor diante de todos os homens: ricos, pobres, sábios, ignorantes, gregos, bárbaros.
Como este senso de dívida se instalou no coração do apóstolo?
Ele se parece com aquele que surgiu no coração de quatro leprosos que estavam do lado de fora de uma cidade cercada por inimigos e destinada à morte.
A fome matava lá dentro, lá fora? Nem pense em sair!
Assim, os quatros, já que iriam morrer de fome mesmo, ou pelos soldados inimigos, resolvem pedir misericórdia e alimento aos que cercavam a cidade.
E, qual não foi a surpresa, não havia ninguém no acampamento.
Ninguém! Nenhum soldado.
O juízo que estava sobre a cidade fora removido.
E ninguém sabia.
Pela ignorância, morriam de fome, já que o que circundava a cidade não era mais o juízo, mas a graça.
Não eram todos que ignoravam a boa nova. Os quatros leprosos sabiam agora.
Ah, o profeta Eliseu também sabia, mas ele estava dentro da cidade, e a porta estava bem fechada.
Assim, do lado de fora, os quatro festejavam, e comiam, saciavam, e...
De repente, vem ao coração deles um sentimento novo: Um senso de dívida diante dos que morriam sem o conhecimento da graça.
Um diz ao outro: “Não fazemos bem; este dia é dia de boas novas, e nos calamos;...” em outras palavras: “Não é certo o que fazemos: Comemos, fartamo-nos, enquanto que os que estão na cidade morrem de fome”.
E foi tão forte o sentimento de dívida, que sentiram medo de serem punidos se silenciassem a graça de Deus.
E partem à cidade, quatro leprosos, para falarem aos “sadios” (que morriam de fome) e aos doentes, aos bons e aos maus, aos de coração agradecido e aos ingratos, aos velhos e aos jovens, aos homens e às mulheres, aos da cidade e aos visitantes (pobre de quem visitava a cidade quando do cerco), aos... aos... gregos e aos bárbaros, aos sábios e aos ignorantes, diria Paulo.
Ele também fora um leproso, e, segundo ele, o mais cheio de chaga, o mais deformado de todos.
Mas, ele teve um encontro com o Juiz de todos os homens, e o encontrou assentado na cadeira de Advogado, para advogar a causa dos culpados.
E, no coração do apóstolo nascerá um sentimento: “Tenho uma dívida para com os outros! E eles precisam saber”.
Moisés Suriba
Dakar