Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença. (Sl. 105.4)
 
     
     
     
     
 
 
 
 
 
 
 
 
     
 
   
   
 
       
 
A glória ofuscada, a vergonha detalhada
 


 

 

   
Não, não tenho anotado à que horas Ele nasceu.
Mas sei que perto da hora nona Ele expirou.

Não sei com que panos enrolaram o recém-nascido.
Mas sei que foi com um manto púrpura que o cobriram, numa mancha de escárnio e maldade, quando de seu injusto julgamento.

Não tenho marcado qual foi o dia da semana que o pequeno veio ao mundo.
Mas sei que foi no dia anterior ao Sábado, que o mataram.

Não sei se a noite de seu nascimento era de lua cheia, se estava estrelada ou não.
Mas sei que houve trevas naquele fatídico dia da hora sexta à nona.

Ninguém me contou quantos pastores aproximaram-se, maravilhados, da manjedoura onde a pequena criança fora deitada.
Mas, tenho certo de que pelo menos sua mãe, sua tia, Maria mulher de Clopas, Maria Madalena e o discípulo amado, aproximaram-se, bem perto da mesquinha cruz, onde o pregaram.

Não, nunca li sobre o que os magos do oriente disseram-lhe quando o encontraram ainda infante.
Mas, já li que um centurião romano exclamou em brado: “Verdadeiramente este homem era justo”.

Nunca ouvi se outras crianças nasceram perto de onde ele nasceu, no mesmo bairro, na mesma rua e na mesma noite.
Mas sei e já ouvi de que dois bandidos foram crucificados no mesmo monte, um à direita e outro à esquerda de sua cruz, no mesmo dia em que ele morreu.

Não, não sei se sua mãe colocou em sua pequenina cabeça uma touca que a amparasse do frio (estava frio?).
Mas, já li que no dia de sua crucificação, “coroaram-lhe” com um entrelaçado de espinhos.

Jamais me falaram sobre seu peso ao nascer.
Mas, o salmista me contou que Ele estava tão magro, que podia contar todos os seus ossos no dia do seu sofrimento.

Ninguém nunca me falou sobre como foi seu primeiro chorinho de criança.
Mas, já me falaram de sua frase derradeira: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.”

Não, não sei o que fizeram de suas fraldas.
Mas sei que de sua túnica apossaram, e, entre eles, sobre ela lançaram sorte.

Faltam-me detalhes do que se passou em Belém, faltam-me dados, datas, horários, medidas, pesos.
No calvário vejo tudo com muito mais nitidez.

Mas, se tenho dados de sobra do calvário, tenho, no Gólgota, o silêncio do céu.
Enquanto que em Belém, ouço um coral. Há uma multidão de anjos e eles cantam: “Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra entre os homens a quem Ele quer bem.”

A glória de Belém encoberta, a vergonha da cruz detalhada.
É certo que quem estava por traz destes eventos sabia com quem tratava e o que queria.

Natal... Mistério descoberto pela fé.
Natal... Tesouro encontrado na busca.
Natal... Ouro, incenso e mirra. O início de uma caminhada que terminaria na cruz.


Suriba
Dakar