Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença. (Sl. 105.4)
 
     
     
     
     
 
 
 
 
 
 
 
 
     
 
   
   
 
       
 
Assassinatos na Família
 


 

 

   
Quem tem acompanhado o noticiário nos últimos dias não pode ficar imune ao sentimento de tristeza e indignação diante da tragédia da família Von Richthofen. Manfred e Marísia foram assassinados por Daniel e Cristian, com a ajuda da própria filha Suzane. A tragédia começou a se desenhar quando a filha iniciou um namoro sem a aprovação dos pais. O final poderia servir de roteiro para qualquer filme de terror. Daniel, o namorado, e Cristian, com a ajuda de Suzane, entraram na casa e mataram a golpes de barras de ferro o casal que já se encontrava dormindo.

Poderíamos fazer várias análises da tragédia familiar de São Paulo. Poderíamos tecer comentários sobre o que fazer quando os filhos namoram sem a aprovação dos pais. Poderíamos também abordar a questão das drogas, que certamente envolveu esse acontecimento. Uma outra análise que caberia seria a questão: o que leva a uma filha planejar a morte dos próprios pais?

Mas nossa reflexão caminhará noutro sentido: os assassinatos que são cometidos diariamente em família, que não vêem a público, mas que são cometidos sem percebermos. Não aparecem nas principais revistas, como esse dos Von Richthofen, mas nos números de divórcios, de jovens dependentes das drogas e do esfriamento das relações familiares. Refiro-me ao dito de Jesus registrado pelo evangelista Mateus (Mt 5.21-26), quando assim se expressou: “Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’ será levado ao tribunal”. Jesus, ao dizer essas palavras, procurou ensinar aos discípulos que muitas vezes podemos estar matando um relacionamento, podendo ser conjugal ou familiar, quando cultivamos a ira e o desprezo para com o outro.

Ficamos perplexos com o que aconteceu em São Paulo, mas não nos damos conta que podemos estar matando um relacionamento conjugal quando ferimos nosso cônjuge com palavras duras e ásperas. São palavras proferidas motivadas pela ira, pelo rancor. Matamos o relacionamento conjugal quando não valorizamos, não honramos aquele ou aquela que escolhemos para estar conosco até que a morte nos separe. Matamos o relacionamento conjugal quando desprezamos, não valorizamos, não honramos o cônjuge. A morte de tantos casamentos, motivados pela ira e pelo desprezo, aparecem todos os dias quando ouvimos notícias de tantos divórcios.

Mas também existe um tipo de relacionamento familiar que é morto todos os dias. Refiro-me ao relacionamento pais e filhos. Quantos pais e filhos estão afastados um do outro porque já não há mais espaço para uma conversa amiga e fraterna? Quantos filhos já se afastaram de casa, provocando a morte da convivência familiar, devido às drogas? Quantas palavras são ditas no convívio familiar entre pais e filhos que machucam, ferem e matam o amor que deveria reinar?

Sem dúvida, o que aconteceu em São Paulo é de causar tristeza e indignação em todos nós, mas não nos descuidemos das palavras duras, da raiva incontida, dos atos de desprezo, desdém, que provocam tantas mortes nas relações conjugais e familiares.

Nossas palavras e atitudes devem provocar vida, esperança e felicidade no outro. Quando isso não acontece, estamos ferindo e provocando um tipo de morte que não aparece nos jornais, mas que causa tantos males e tristezas às famílias e à própria sociedade.



Retirado do Site: www.clickfamilia.org.br