Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença. (Sl. 105.4)
 
     
     
     
     
 
 
 
 
 
 
 
 
     
 
   
   
 
       
 
Calções de Linho
 


 

 

   
Por Cleonice Russo


Ezequiel 45-18: "Tiaras de linho lhe estarão sobre as cabeças, e calções de linho sobre as coxas - não se cingirão a ponto de lhes vir suor"

É tempo de reforma no ministério do santuário. Durante a reforma que ocorreu no tempo profético narrado por Ezequiel, Deus na sua infinita misericórdia e no seu maravilhoso poder e cuidado ensinou aos seus líderes detalhes importantes no que diz respeito à sua postura e apresentação quando fossem ministrar diante de Sua presença.

Deus se mostra detalhista no que concerne à roupa. Um detalhe em especial me chamou muito a atenção e peço a licença para fazer uma aplicação aos dias atuais, de forma alegórica. O mesmo tecido que deveria compor a tiara que estaria sobre as cabeças (símbolo de autoridade) e que era vista por todos, deveria compor os calções (tipo de cuecas) que estariam escondidos debaixo da vestimenta e que com certeza, não seria visto pelo povo, que cobria suas partes íntimas (aquilo que geralmente não expomos). Meus amados irmãos, isto para mim fala de CARÁTER. Eu associo esta roupa diretamente ao caráter. Por que será que Deus ordenou que o tecido fosse o mesmo? Muitas podem ser as possíveis respostas. Eu pretendo trabalhar algumas hipóteses. Primeiro:

O linho nos fala ou nos lembra de santidade. As vestimentas dos santos que estarão diante de Deus conforme descrito no livro de Apocalipse serão de linho puro e o autor fala que elas simbolizam os atos de justiça dos santos.

Será que os atos que praticamos no oculto são tão justos e santos como aqueles que praticamos nas plataformas? Será que o que os outros vêem sobre nós, e reconhecem como bonito e santo compõem também nosso interior? Estaremos nós nos dias de hoje usando um tipo de tecido para nossas tiaras e outro para nossas roupas íntimas? Estaremos nós pregando uma coisa e vivendo outra? Será que se Deus começar a escrever nas paredes nossos pensamentos e sentimentos mais íntimos eles serão coerentes com aquilo que aparentamos ser para os outros? A palavra de Deus diz que como imaginamos somos. Estamos pensando e sendo uma coisa e demonstrando outra? Temos sido coerentes? Existe ética em nossa vida? Correspondemos ao chamado com o zelo que deveríamos? Que Deus nos ajude a respondermos estas perguntas.

O linho é um tecido puro que não aceita mistura. Pelo menos era essa a sua característica naquela época. Isto nos fala de pureza. Separação. E eu associo isto ao caráter no que diz respeito à coerência. Muitas vezes falamos sobre ter uma vida santa, cantamos isto, ensinamos isto, mas nossa vida está comprometida e afiançada com o deus deste século. Somos pessoas que capitulamos diante das propostas deste século. Nos misturamos. Deixamos nossa essência. Abrimos mão da nossa identidade. Abandonamos os princípios em favor das necessidades.

O linho puro é um tecido duro. Seu manuseio não é fácil. Contudo ele é um tecido permeável. A água passa por ele com facilidade e isto favorece a pele e evita o acúmulo de odores. Embora seja difícil escolher a santidade e a pureza - embora pareça tão duro - é o caminho para que sejamos maleáveis e sensíveis. Isto evita que nos corrompamos. Isto nos mantêm mais limpos. Nossa carne não acumula odores, porque a transpiração é livre e não fica impedida.

Mas Deus dá outra instrução importante aí. Ele diz que não era para cingir-se a ponto de vir suor.

As roupas eram amarradas ao corpo naquela época. Um tipo de cinto era usado. Deus não entra em detalhes com respeito ao cinto. Ele apenas destaca que não era para cingir de forma a produzir suor.

Meus amados, o suor é incrível. Ele é o mecanismo usado pelo corpo para liberar as impurezas que estão na pele. Isto me fala de não usar o ministério como forma de ocultar nossas impurezas. O suor nas partes íntimas. Impurezas onde ninguém vê. Falhas de caráter. Áreas que não foram tratadas e que nós escondemos atrás de um manto de espiritualidade. O que ninguém vê, mas que incomoda a Deus.

O suor é também uma forma do corpo avisar que algo não vai bem ou de reagir diante de pressões, conflitos emocionais, sustos etc.

Existem hoje muitos líderes transpirando nos seus ministérios. E o cheiro além de não ser agradável atesta que existem áreas doentes que precisam urgentemente de cuidados médicos. A febre que produz suor é sinal de infecção. Se algo não está bem é melhor ver logo e buscar a cura antes que todo o corpo, sofrendo, desgastando se enfraqueça.

Um ministério pode morrer por alguma área ferida que não foi curada. Alguma doença que não foi tratada.

Outra coisa é o suor fruto de pressões, conflitos emocionais, etc. Isto me fala de ativismo. Estar tão agitado com tantas coisas que o ministério se torna um peso, um incômodo. Algo que realmente te aperta por dentro, como um cinto apertado. Que te faz suar, te marca, te impede de mover-se com liberdade. Acaba comprometendo suas emoções e seu desempenho.

Mas existe ainda outro tipo de suor. Aquele que é produzido por euforia, prazer, alegria. Porque será que o sacerdote não podia suar enquanto ministrava? Eu penso que mais que não suar, ele não podia tentar produzir o suor. Ou seja, apertar o cinto a ponto de produzir o suor. Existem muitos líderes que ministram e condicionam seus ministérios àquele suor produzido pela poderosa descarga de adrenalina no nosso corpo. Aquele suor que vem depois de uma boa malhação na academia, e que libera como conseqüência a endorfina (hormônio do prazer). Será que estamos preocupados com o nosso prazer, nossa euforia, nossa alegria fruto de nosso próprio esforço? Será que estamos usando nossos ministérios para sustentar esta idéia? Deus não queria suor durante a ministração. Ele não queria que os líderes produzissem suor. Ele não queria cheiro de carne. Cheiro daquilo que nossa carne é capaz de produzir. Nossos ministérios não podem ser conduzidos desta forma. O ministério não é lugar de "carnalidade". Não estou condenando a alegria. Existe uma alegria que é sadia. É a alegria que o Senhor tem e derrama sobre nós. Ela é a nossa força. Ela não nos prejudica ou desgasta.

O suor também provoca desidratação. O suor excessivo é extremamente perigoso. Se nosso corpo não repõe a água que perde ele tem seu desempenho comprometido. Isto nos fala de cansaço, desgaste. Quantos líderes estão produzindo este tipo de suor. Estão sobrecarregados. Estão tão atarefados que suam de forma excessiva. Não param para beber a água da vida. Não têm tempo para uma ducha refrescante. Não entram nos mananciais para re-hidratar sua pele cansada e seca de tanto suar. Existe um limite de água que a pele pode perder. Depois disto ela se torna tão seca que se fere com muita facilidade. Existem líderes feridos porque estão desidratados. E os poros secos se obstruem como forma de defesa o que envelhece a pele. Que triste é vermos líderes secos, que não têm mais vida. Seus poros estão tapados. Nada sai, nada entra. Estão fechados em si mesmos. Acostumam-se com este estado de desidratação. Estão enrugados. Não são mais flexíveis. De tanto estar secos, de tanto perder água e não repor, envelheceram antes do tempo, perderam a elasticidade. Não interagem. Não se comunicam.

Fonte: www.adorando.com.br